Dentro da concepção pedagógica do modelo liberal que impera na educação brasileira, a avaliação classificatória e eletiva é aquela que hoje é um dos motivos pelo fracasso e evasão escolar.
O fracasso escolar se encontra dentro de um quadro onde não existe um processo escolar que possa atender as necessidades e particularidades das classes populares, fazendo com que um grande potencial humano seja desperdiçado. O grande número de excluídos ao acesso de conhecimento e a desvalorização dos conhecimentos social produzido por esse grupo, fortalece a necessidade de criação de um mecanismo de intervenção que seja dinâmico e de inclusão social.
É necessário criar uma nova cultura de avaliação escolar que incorpore uma dinâmica que facilite uma dimensão ética.
Para Esteban (2003), se procurarmos saber se a escola poderia viver sem avaliação, provavelmente a maioria dos alunos iria achar que isso seria maravilhoso, pois faria com que eles tivessem mais tempo para sair, brincar, se livrarem das broncas e castigos dos pais, reduzindo angústias e sofrimentos.
Aos professores também seria dado um descanso, pois não precisariam elaborar uma prova e depois disso ter que corrigir uma pilha delas.
Será que com isso a escola seria mais feliz? Será que realmente todos os estudantes achariam justo que não houvesse nenhum tipo de reconhecimento para todo o seu esforço de estudar? Sem a prova quem obrigaria os alunos a estudar? Como verificar e assim garantir que os conteúdos, nem que seja mínimo, está sendo aprendido? Como identificar quem sabe e quem não sabe, atendendo a função da escola que é passar conhecimentos?
Diante dessas perguntas, acredita-se que a avaliação escolar seja um mal necessário, mas será que ela deverá ser necessariamente tão discriminatória como é atualmente. Devemos repensar o processo de avaliação que seja uma prática pedagógica democrática.
Segundo Luckesi (1984), a atual avaliação tem a função de classificar os alunos, quando deveria ter uma função de diagnosticar, isto é, avaliar o quanto de conteúdo está sendo aprendido pelo aluno, e então assim, diante dessa avaliação, tomar decisões sobre o objeto avaliado.
Numa avaliação, o erro tem que ser visto como uma forma de oferecer novas informações sobre a dinâmica de aprendizagem e desenvolvimento tanto do aluno como da turma. O erro não é só uma maneira de se ver o que o aluno não sabe, mas o que ele ainda precisa aprender e tornar assim a avaliação, de uma prática classificatória em um processo de investigação.
É necessário que possamos enxergar que a avaliação classificatória é um fator que exclui e silencia as pessoas, sua cultura e seus processos de construção de conhecimentos, e que uma nota ruim marca por toda a vida o aluno, pois fica registrado em arquivos e históricos escolares, que se transformam em documentos legalizados. Devemos levar em consideração todo o esforço do aluno em melhorar suas notas e dar a ele o seu devido valor, lembrando que seu modo de aprender, muitas das vezes é diferente da maioria e é preciso que ele seja visto como um indivíduo pelo professor, que tem a missão de transmitir conhecimento e tornar o aluno um aprendiz, não só do conteúdo escolar, mas também do conteúdo social e cultural do qual faz parte.
Referência:
ESTEBAN, Maria Teresa. A Avaliação no Cotidiano Escolar - In: Avaliação uma prática em busca de novos sentidos (org.). 5a. Ed. - Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação Educacional Escolar: para além do autoritarismo - In: revista Tecnologia Educacional, V. 13 (61): 6-15, Nov./Dez. 1984.
Referência:
ESTEBAN, Maria Teresa. A Avaliação no Cotidiano Escolar - In: Avaliação uma prática em busca de novos sentidos (org.). 5a. Ed. - Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação Educacional Escolar: para além do autoritarismo - In: revista Tecnologia Educacional, V. 13 (61): 6-15, Nov./Dez. 1984.